segunda-feira, 23 de maio de 2011

Magia

Devagarinho chego junto de ti
dormes ainda
mulher
criança
meu corpo anseia pelo teu
quero-te minha
preciso que abras os olhos
e me olhes
nesse teu jeito que me provoca
Afasto os lençóis que te cobrem
e o teu corpo surge
na tua lingerie de renda
que te deixa mais nua para mim
O meu desejo aumenta
curvo-me sobre ti
devagarinho
a minha língua
procura os teus seios
ainda cobertos pela frágil renda
sei que acordas
mas finges dormir
na tua boca brinca um leve sorriso
as minhas mãos percorrem-te
chamo-te baixinho
e tu abres os olhos
com esse olhar que conheço
que me leva à loucura
As minhas mãos ansiosas
arrancam a tua lingerie
e tenho-te finalmente nua
teu corpo banhado pela luz rosa
que nos ilumina
A minha boca corre voraz
centímetro a centímetro
na tua pele quente
que se arrepia
Sinto-te entregue
nossos corpos procuram-se
quando as tuas pernas me enlaçam
nossos corpos fundem-se
com o sabor da primeira vez
fazemos movimentos lentos
sem pressa
saboreamos a junção dos corpos
a magia da entrega
Sei que me queres
eu desejo prolongar este momento
nossos corpos são um só
num bailado de desejo
carne
suor
prazer
até ao momento final
em que o prazer nos eleva
como um pássaro de fogo
rumo ao infinito
em uníssono
soltamos o prazer
envolto num grito
Pela noite fora
continuamos abraçados
numa ternura que bem conhecemos
à espera de um novo apelo
de sexo
de amor
em que nos perderemos

2 comentários:

  1. E produziu-se em mim como um desejo de percorrer isso tudo;
    e reproduziu-se como um desejo de desejar esse sujeito lírico aqui, não agora, não depois, num qualquer momento de selecção do arrebol.
    Foi como uma partícula de magia, que me fez ansiar por alguém que me provoque essa intensidade tão carnal e luxuriante, sob a alçada de um romantismo deveras impetuoso.

    J.

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